"Não se apresse em acreditar em nada, mesmo se estiver escrito nas escrituras sagradas. Não se apresse em acreditar em nada só porque um professor famoso falou. Não acredite em nada apenas porque a maioria concordou que é a verdade. Não acredite em mim. Você deveria testar qualquer coisa que as pessoas dizem através de sua própria experiência antes de aceitar ou rejeitar algo."
(Siddartha Gautama, Kalama Sutra 17:49)
Como seria se todos seguissem este ensinamento absolutamente perfeito? Talvez ele não fosse mais necessário. Sua atualidade reside exatamente na razão da sua existência. Há o cômodo hábito de tomar por garantido aquilo que é dito por alguém reconhecido, mesmo que este alguém (como Sidharta) alerte para a transitoriedade do que ele mesmo disse e proponha uma verificação individual. Invariavelmente esta investigação é deixada de lado. Parte em função do funcionamento da mente tradicional, parte em função da acomodação à zona de conforto, ao estabelecido, o que dá no mesmo. Há a tendência de aceitar apenas aquilo que faz sentido ao sistema de crenças. Absorve-se apenas aquilo que agrega conhecimento sem desestruturar o construido por anos de uma lavagem mental ao inverso. Obtemos uma quantidade impensável de conhecimento que, utilizado sem lucidez, apenas acumula lixo ao véu de samsara mental. Mantemos e incrementamos um processo de auto-limitação absurda, onde apenas aquilo que faz sentido a este limitado "firewall" mental é liberado para ser digerido.
O que aponta para a sabedoria implícita ao "não sei", para a verificação, para a possibilidade de descontrução do falso é desconsiderado. Não há clareza de perceber que esta rejeição à investigação é originada naquilo que receia ser desmascarado e desconstruido. Neste "fazer vista grossa" à sabedoria do ensinamento, endeusamos imagens, identificamo-nos com uma gama enorme de pensamentos ilusivos e nos fixamos nas estruturas mentais (ou físicas) que ciclicamente os sustentam. Isto é, aliás, a base de todas as estruturas religiosas constituidas e que não apontam para nada que não aumente o seu poder temporal. Há um medo atávico e inconsciente do confronto com a solitude instransferível da investigação individual e direta, que possibilita um vislumbre do eternamente disponível e libertador aqui-agora. Neste contexto, faz todo sentido a dificuldade de entender com toda a profundidade uma frase de Mooji: "é fácil ser o que você é. Difícil é deixar de ser o que você não é".
Love
Deva
segunda-feira, 22 de fevereiro de 2010
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Quem vê o que o budha diz? |
terça-feira, 1 de setembro de 2009
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Conhecimento mortal |
A sociedade onde vivemos valoriza muito o conhecimento. É considerado um grande tesouro, que durante anos é buscado e acumulado. Mas, ou por não ocupar um espaço físico determinado ou por alguma outra razão, sua obtenção parece não satisfazer aquilo que o obtém... A idéia inicial que gerou a sua procura permanece intacta. A busca por mais conteúdo é contínua, ininterrupta... Mesmo com toda a acumulação há uma sensação de que alguma coisa está faltando, algo incompreensível em si. É uma espécie de vício. Quanto mais conteúdo é “consumido”, mais coisas diferentes e exóticas são lidas, mais continua a sensação de não estar vendo o essencial, aquilo que realmente vai preencher ou saciar.
Perfeito!
Conhecimento é obter uma visão de mundo através olhos dos outros, que por sua vez o obtiveram dos outros e assim sucessivamente... Algo como ver através de um vidro sujo! Isso é o que o conhecimento é: algo percebido através de um olho de vidro! Não se pode “ver” o essencial, a origem. É impossível, pois Isso é algo existencial, individual e intransferível! Não é engraçado isso? Todas as conclusões que tivemos até hoje foram baseadas no que vimos através de algo opaco, turvo! Todas as cores, todos os matizes, toda a maravilhosa beleza intrínseca da natureza que nos circunda e daquilo que permite a natureza expressar-se... E é isso que fazemos ao longo de toda a vida, desde a mais tenra idade...
Todo esse desejo de saber mais e mais... Olhamos mas não observamos profundamente as coisas que estão acontecendo ao redor. Comparamos o que vemos com o conteúdo da mente que por sua vez foi obtido da mesma forma, numa espiral teórica e finita. E mais uma idéia é criada, como se fora a fonte de toda a vida... Sabemos de tudo, mas experimentamos verdadeiramente pouco, muito pouco!
Isso se inicia na infância... Toda criança é lentamente envenenada pelo conhecimento... São lentamente distraídas da sua inocência, da sua curiosidade, do seu não-saber, da inteligência original. Crenças são impostas como verdade e toda a força de sua natural confiança e ilimitada inocência fazem com que elas acreditem no artificial, no falso que está sendo transmitido. Talvez por isso elas pouco a pouco se tornem tão tristes. Toda a alegria, todo o êxtase de viver o desconhecido, o novo é esquecida em troca do conhecido. Pouco a pouco elas ficam iguais à multidão adormecida que as rodeia. A isso chamamos “educação”. O momento máximo desta corrida insana é o momento em que uma criança está perfeitamente condicionada, obediente e sem capacidade de pensar por si mesma. Dizemos então que ela está perfeitamente educada. Pronta para ser utilizada pela sociedade de consumo. Ficamos satisfeitos e orgulhosos em saber que ela foi iniciada nas crenças dos seus pais, sem perceber que tudo aquilo que fizemos foi destruir a capacidade delas saberem por si mesmas. Destruímos a sua autenticidade, a sua preciosa inocência. Fechamos suas portas e janelas. Agora elas viverão totalmente protegidas, cercadas por todos os tipos de teorias estúpidas, sistemas de pensamento, filosofias, ideologias e crenças. Elas estarão perdidas em uma selva de palavras e conhecimentos e não poderão sair facilmente disto. O resultado disso tudo? Olhe-se num espelho, honestamente, e você verá...
sexta-feira, 14 de agosto de 2009
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Seekers or finders? |
O ser humano tem em sua composição genética o desejo pela felicidade, pela paz duradoura e da compreensão dos mistérios da vida. Alguns investem sua vida para obter tal "estado". Sua busca tem início num momento de desespero, onde as coisas parecem não se encaixar em mais nada do que ele considera como parâmetros adequados a uma vida ideal. Este talvez seja o melhor momento de olhar para o que está acontecendo com um olhar investigativo, fazendo uma perguntinha básica: quem está insatisfeito? Quem está sentindo este desespero? Quem percebe estes sentimentos? Eu sou isto que se desespera ou sou algo que transcende todos os sentimentos, bons ou ruins? O que significa transcender? O que é a paz? Quem, de fato, sou eu?
A assim chamada busca espiritual é iniciada sem estas respostas e sem saber o que está na verdade sendo buscado. Alguns falam em busca da verdade, outros em busca da felicidade, outros em busca da paz, outros querem um contato real e imediato com sua essência. Se olharmos com um mínimo de cuidado e percebermos que não sabemos exatamente o que estamos buscando, começaremos a entender que esta busca tem uma dose de insanidade - vital para que ela se inicie - mas há também um desejo associado e inconfesso de não encontrar o que estamos procurando. Ou porque o encontro seria o fim da busca e o encerramento da razão de viver do personagem-buscador ou talvez, apenas talvez, aquilo que orienta e "organiza" a busca saiba de alguma maneira que o encontro pode ser o seu desmascaramento, a sua morte - mesmo que seja a morte de uma mentira... Então o boicote inconsciente acontece. De uma forma sutil, esperta e sorrateira. As perguntas corretas estão postas. A resposta está disponível todo o tempo. Mas o encontro efetivo e definitivo com a resposta não acontece. Por que? Dentro deste boicote que "atrapalha a investigação" estão todas as ações que fazemos na busca pela pacificação: terapias, grupos, encontros, meditações de todas as cores e matizes... São todas infrutíferas por uma razão bem simples: elas são focadas naquilo que pensamos ser. Mas não somos. Sem a profunda compreensão do que verdadeiramente somos – aqui a transcendência - nos consideramos meramente como entidades corpo-mente, adormecidos para a nossa natureza mais profunda e real. Esta visão limitada e obscurantista nos deixa enredados num mundo de culpa, medo e conflitos – um estado que denominamos infelicidade - características fundamentais da mente não-esclarecida. A procura pela resposta à pergunta correta é o detergente que remove a sujeira da ignorância e do mal-entendido causados por esta identificação equivocada. Ela não é a resposta em si, mas funciona como combustível para que um fogo muito especial comece a ser percebido. O convite é começar a ter mais intimidade e relaxar neste fogo. Um fogo que tem um poder especial. Ele queima apenas aquilo que não é verdade, aquilo que é imaginado. Mas fique tranqüilo. Ele não pode queimar você, por uma razão muito simples: ele é você.
(Deva)
terça-feira, 14 de julho de 2009
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Busca & escalada |
A busca espiritual é paradoxal. Ao mesmo tempo simples e complexa. Exige um esforço e dedicação supremos (na obtenção de resultados imaginados ou desejados) enquanto ao mesmo tempo, aquilo que está sendo buscado está presente nas coisas mais singelas. Cada ação das formas e dos objetos pode ser considerada uma flecha a apontar para a Unidade por trás dos mesmos ou um véu a separar o buscador daquilo que está sendo buscado. Seu início acontece quase sempre em momentos de desespero, sua obtenção sendo o bálsamo a curar todas as dores. Não há lógica. Não pode haver. Qualquer coisa pode ser usada como ponto de partida: um texto, uma foto, uma conversa... Nada mais do que isso. Nenhum mapa. Apenas uma intuição cega a guiar o buscador.
Por outro lado, a realização (se há algo como tal) é algo que ao “acontecer” não deixa rastros. Não há como ser repetida nem mesmo por quem “realizou”. Não há mapas, métodos ou regras. Paradoxalmente, não há como atingi-la sem um. Como disse Bayazid AL-Bistami: “Deus não pode ser obtido a partir de alguma busca, mas somente aqueles que buscam O encontram”.
Assistindo uma reportagem sobre escalada de grandes montanhas ouvi uma frase de um dos alpinistas que descreve com perfeição a assim chamada realização ou o “entendimento” definitivo. Ele estava descrevendo em detalhes todas as intempéries pelas quais havia passado, o esforço quase sobre-humano dos últimos dias e, ao narrar os últimos metros da escalada – os mais difíceis – disse (ou eu entendi desta forma): “o incrível é que o topo não se revela. Você está ali, a poucos metros dele, exausto,sem forças, a ponto de desistir. Na verdade, você desistiu. Mas continua, sem saber mais nem como nem por que. Quando você vê, não há mais nada na sua frente. Naquele breve instante você apenas percebe que não há nada entre você e todo o resto... É apenas isso!”
Absolutamente perfeito! Não vi nenhuma descrição mais perfeita do que essa...
domingo, 5 de julho de 2009
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Mastering |
Há no ocidente uma expectativa exagerada dos buscadores a respeito da figura de um mestre. Maestria não faz parte da nossa cultura e apenas nos são repassados relatos, fotos, gravuras, sonhos e devaneios. São exatamente estas idéias que impedem a percepção da maestria acontecendo. Numa lógica da mente, se o objeto não corresponde ao idealizado, ou desejado, ele é imediatamente descartado. Não é claro que alguém que se enquadre à qualquer demanda não possa ser um Mestre. Pode ser um “pop star”, um galã de novelas ou um artista de cinema...
A Maestria verdadeira é desconhecida. Temos padres, professores, psicólogos, psiquiatras e toda uma gama de ”past driven minds”. Mas não há mecanismos para identificar um Mestre verdadeiro...
Na presença de um Mestre você não fica incólume. Ou se entrega definitivamente, algo raro, ou resiste, critica e agride...
Na relação professor/aluno há uma transmissão de conhecimento. Na relação Mestre/discípulo não há nenhuma transmissão. Ou melhor, há uma “transmissão especial”, que só é possível com a desconstrução total do complexo mental construído ao longo dos anos. Com o abandono do conhecido. Isso é algo inadmissível para aquela construção que tenta manter o controle.
A relação mestre/discípulo é uma relação rara. Ela não é baseada no conhecido, na atração química ou no amor. É inexplicável como a origem dos pensamentos e insana como a mais doce loucura infantil. É baseada na confiança que emana do Amor.
O professor sabe sobre todas as coisas conhecidas. Sabe até sobre Deus e ministra longas aulas sobre o assunto.
O Mestre apenas é. Não sabe das coisas, pois não percebe nenhuma divisão entre elas. Ele apenas tenta lhe mostrar o que você é através de si mesmo. Mas ele também “sabe” que Isto é algo que não pode ser aprendido. Nem transmitido. Talvez seja esta a razão do sorriso enigmático das imagens de Buda. Talvez seja esta a razão da sua extrema compaixão. Pois paradoxalmente, não há relacionamento entre Mestre e discípulo. O Mestre sabe disso. O discípulo, não.
domingo, 21 de junho de 2009
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Espírito da coruja |
Ultimamente estou possuído pelo espírito da coruja. Não falo nem escrevo muito... Em comprensação, presto uma atenção!!! Entre as coisas observáveis estão os vários grupos na Internet. Em várias línguas. A globalização das idéias e conceitos. Uns técnicos. Outros de cunho sociológicos, políticos ou religiosos. Alguns de buscadores espirituais (seja lá o que isso signifique). Em todos, um fio condutor padrão. Apesar das diferenças de linguagem e/ou cultura, o que está por trás de todas as manifestações ali contidas é aquela velha e conhecida figura, onipresente e irreal. Ainda me surpreendo com os truques por ela usados para se manter no controle. Surpreendo-me ainda mais com a falta de sutileza destes truques. Apesar de sutis como um elefante numa loja de cristais e ruidosos como um bando de caturritas não são identificados ou percebidos... Com um pouco de atenção é fácil intuir o porquê disso. O gerador do engano não consegue fazer nada consigo mesmo... É uma espécie de dança dedicada a manter as aparências...
O assunto dos últimos tempos no grupos de buscadores espirituais (às vezes me parece que há um maestro poliglota e brincalhão por trás de tudo o que acontece, regendo as manifestações mais desprovidas de lucidez) é a procura do mestre perfeito. O mestre é tão pessoal, que a partir desta sua idealização – não efetivada – emanam várias manifestações pseudo-maestrinas destes buscadores. É a manutenção da Matrix pelos seus próprios integrantes. Perfeito moto-contínuo!
Sobre isso pensava hoje pela manhã na sala de espera de um aeroporto ao ver circular milhares de potenciais propagadores do engano...
O ponto comum em todos (dentro deste grupo dos buscadores) é a expectativa ou um desejo sobre como deveria ser a figura de um mestre. Tal qual a imagem física de Jesus aceita ao longo dos séculos (imagem aliás que não tem nada a ver com os nativos da região da Galiléia, mas ótima para os filmes) a imagem de um mestre ficou atrelada a imagem dos mais conhecidos (Buda, Papaji, Osho, Mooji, etc).
De qualquer maneira, a função do mestre não é compreendida. Mesmo os cristãos se esquecem que o discipulado está na raiz do cristianismo desde que Jesus de Nazaré reuniu os apóstolos ao seu redor e começou a questionar as suas crenças e dogmas. O fenômeno da orientação espiritual é onipresente em todas as formas de busca que envolva uma verdadeira busca de si mesmo.
A proposta de qualquer mestre verdadeiro é “desconstruir” o (cuidadosamente construído) senso de “realidade” e sistema de crenças individual, uma porta para que se descubra a realidade que se encontra por baixo ou além de todos os sistemas e símbolos. Esse processo de desconstrução, no qual todo o significado é transcendido, assemelha-se à loucura. Por outro lado, este caminho é de uma riqueza inimaginável de descobertas e possibilidades.
A tarefa do mestre, portanto, é apenas facilitar a descoberta da irrealidade da mente pela própria mente. A isso se dá nome de transcendência. Ou qualquer outro nome, na verdade, pois o que menos importa quando isso ocorre é como isso é chamado...
quarta-feira, 17 de junho de 2009
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Zen & Matrix |
Hoje li um ditado Zen e lembrei do filme Matrix. Aparentemente eles não tem muito em comum. Aparentemente...
O ditado:
“No começo as montanhas são montanhas, os rios são rios e as florestas são florestas. No meio, montanhas não são mais montanhas, os rios não são mais rios e as florestas não são mais florestas. Ao final, montanhas são montanhas, rios são rios e as florestas são florestas.”
Parece enigmático, mas não é. O filme Matrix parece ser apenas uma aventura. Também não é.
Matrix é o mundo das aparências. Ela permeia tudo o que acontece ou faz com que aconteça. "Matrix” poderia ser traduzido do sânscrito (três ilusões) apontando para as três ilusões que ocultam a realidade, segundo o hinduísmo: a ilusão física, a ilusão psíquica e a ilusão espiritual. No filme, Neo é um personagem que está inserido na Matrix, como todos os demais. Ou quase todos. Para ele, as montanhas são montanhas, os rios são rios e as colheres são colheres. O coelho ainda não apareceu... Acredita piamente ser o personagem (um hacker muito famoso) que lhe disseram ser. As oportunidades de ver as coisas sob outro prisma aparecem o tempo todo, mas ele ainda ”não está pronto”. Tem medo de dar o salto. É preso pelos agentes da Matrix que lhe injetam um controlador interno...
Mas o acaso ali está, sempre disponível para que se tropece nele. Para Neo, na figura do coelho sonhado, visto “por acaso” nas costas tatuadas de uma moça. E ele o segue. Encontra-se com Trinity, a figura feminina que o leva ao “mestre dos outsiders”, que atende pelo sugestivo nome de Morpheus...
Morpheus lhe dá outra oportunidade (the red pill), mais “radical”. Para ir adiante, precisa coragem. Dar o salto, confiar. Agora ele faz. Engole a “red pill”. E inicia (ou continua) o seu acordar para a realidade além da Matrix...
Tudo se transforma... As montanhas não são mais montanhas, as colheres deixam de ser colheres – até entortam ao serem olhadas. Nem mesmo o seu velho conhecido - o espelho - é real (ele toca num e é por ele envolvido – sua imagem quer devorá-lo...).
Ele renasce/acorda para a sua verdadeira natureza. Se assusta com o que vê. Vacila. Precisa ser “reconstruído”. Ainda não está pronto. “Sabe” que aquilo que ele vivia não era real, mas ainda se surpreende com a perfeição das ruas onde havia “vivido”, mesmo sabendo serem falsas.
Precisa ser treinado para poder usar as suas novas “habilidades” e conhecer os truques, senão será enganado novamente, da mesma forma que antes... Morpheus (seu mestre no momento) é vital. As provas são colocadas, uma a uma. Ele supera um a um os limites impostos ou sugeridos.
Chega a hora de voltar para a Matrix (ou market place?) para a prova derradeira, o confronto com a própria Matrix, representada pelo seu principal agente, Smith. Neste confronto ele ”morre” com um tiro (que ele acredita ser real). Ou seria uma bastonada do mestre Zen?? O personagem se foi. E aquilo que ele realmente é (motivado pelo amor de uma mulher – é um filme americano) é “chamado” a se expressar. Definitivamente. Renasce. E “vê” as coisas como realmente são: no filme, números (bits) em sequência – representação do lado esquerdo do cérebro. Ele não se engana mais. As balas não são reais, assim como os agentes da Matrix. Ele está além das aparências. Transcendeu-as, apenas sendo o que sempre foi. Sua verdadeira natureza transcende naturalmente as aparências.
A partir daí, ele volta para o mundo. Usa a estrutura toda. Sabe que não é real, mas ele a usa, pois é onde as coisas parecem acontecer, o único local onde a linguagem tem algum valor. As montanhas voltam a ser montanhas, as colheres voltam a ser colheres. Dentro da Matrix. Ele sabe disso. Não se engana mais...
segunda-feira, 8 de junho de 2009
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Transcendência |
Quando ouvimos a palavra transcender, o que nos vêm a mente? Pouco se lê e pouco se ouve sobre o significado da transcendência. Por que será? Entre outras coisas porque fomos ensinados a tomar como certo tudo o que nós é dito. A lógica das certezas nos é transmitida de geração em geração sem muitos questionamentos. Pais e professores raramente cumprem com uma das mais nobres missões: a missão de instigar a dúvida, a pesquisa, o descobrir por si mesmo. Isso é considerado muito perigoso, principalmente num mundo de mentiras, manipulações e hipocrisia. O descobrir por si mesmo gera questionamentos e questionamentos confrontam conceitos e crenças dominantes.
Transcendência: pode significar ir além. A pergunta imediata (que não é feita) é: ir além do que, exatamente? Somente um poeta saberia dizer, da forma como Rumi o fez:
Quero fugir a cem léguas da razão,
Quero da presença do bem e do mal me liberar,
Detrás do véu existe tanta beleza: lá está meu ser,
Quero me enamorar de mim mesmo, ó vós que não sabeis!
Rumi mostra a porta. Como se liberar do bem e do mal a não ser transcendendo estes conceitos? E como transcender estes conceitos se não for “fugindo a cem léguas da razão”, aquela razão que classifica tudo o que passa sob o véu que transforma o intangível no aparentemente tangível? E como fugir a cem léguas da razão se não for naquele exato momento em que “me enamoro de mim mesmo”? E como me enamorar de algo impossível de conhecer a não ser transcendendo o conhecer que o conceito de enamorar traz embutido?
quarta-feira, 27 de maio de 2009
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Got it!! |
Quando você diz: "entendi!" acabou de definir o momento em que perdeu o ponto. O momento em que você diz "isso eu já sabia" é quando você explicita que aquilo que você sabia não serve para absolutamente nada exceto ser conteúdo de sua mente limitada. E o conteúdo de sua mente não pode ser... Aquilo! O momento em que você tenta explicar o seu "nível de espiritualidade" é o momento que você define que está perdido. Aproveite este momento e sente-se com um mestre. Não um mestre imaginado, um mestre convenientemente distante ou algum que já tenha morrido. Mas uma presença! Não é necessária nenhuma explicação prévia do que isso seja. Você saberá. Basta sentar desarmado e “deixar” que o silêncio flua. Nada mais é necessário. Enquanto isso não acontecer você continuará tentando provar que nada disso é necessário. Apenas perceba que tentar provar que algo não é necessário define exatamente a sua necessidade...
(Deva)
quarta-feira, 20 de maio de 2009
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Emptiness |
A necessidade do reconhecimento é uma das características básicas da relação discípulo-mestre. Ela mostra basicamente que o discípulo não está pronto. Se estiver, isso não mais importa, pois há a percepção de que não há quem reconheça nem ninguém para ser reconhecido...
Há uma estória atribuída a Bodhidharma, sobre isso:
“Uma vez um discípulo veio a Bodhidarma e disse:
- Mestre, você me disse para estar vazio. Agora eu me tornei vazio. O que mais você me diz?”
Bodhidarma bateu forte com seu bastão na sua cabeça e disse:
- Vá e jogue fora este seu vazio!”
Poder de síntese, não? Se alguém diz “eu estou vazio” o “eu” está ali e o “eu” não pode ser vazio, pois vazio é a ausência de qualquer “eu”. Vazio não pode ser reivindicado! Não há como dizer ”eu estou vazio”. Não há como o vazio reivindicar a vacuidade! O dizer nasce do sentir e o sentir dá nascimento ao ego. É uma espiral, novamente e novamente. Na verdade, o ego sempre quer ser especial. Ser especial é uma das suas armadilhas. Nesta armadilha caem os discípulos que vêm seu mestre como o melhor de todos, defendendo essa idéia com a própria vida. Ou os discípulos que consideram a si mesmos especiais, entre todos os demais discípulos. De comum um fato: a discipularidade.
Então, ser vazio, mas não pensar que é vazio. Ser qualquer coisa, mas não pensar que é qualquer coisa. Apenas ser, algo realmente especial e difícil... -J
(Deva)
quinta-feira, 14 de maio de 2009
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Sat-Neto |
Hoje pela manhã falei com Gabito (neto de dois anos) ao telefone. Ele perguntou se eu ia buscá-lo para ir para o sítio. Eu respondi que não estava em Porto Alegre e que "amanhã" eu iria buscá-lo. Não foi necessário o silêncio do outro lado da linha para que eu percebesse a inutilidade do que foi dito. Para uma criança, amanhã é um tempo inatingível. Outro lugar que não aquele onde está agora é algo inimaginável. Ele apenas percebeu um grande ”não”. E desligou o telefone...
Conversar com uma criança é uma grande viagem a “Nowhere land”...
Fiquei imaginando como dizer a ele o que seria o tempo. Fisicamente o tempo é a “distância” entre dois instantes. É simples. Einsten disse uma vez que o tempo presente era aquele breve instante que separa o passado do futuro. E que matemáticamente o presente era a confluência de todo o passado e de todo o futuro. Ou seja, o momento que representava tudo o que já havia existido e tudo o que iria existir.
Mas, o que é o passado? E o que é o futuro?
Lembrei-me do Gabito e imaginei que respostas ele daria a estas duas perguntas. Talvez ele dissesse, baseando-se no único momento que ele percebe que o ”passado não é mais” e o futuro “não é ainda”. Não sei. Coisas de avô, pois crianças não lidam com o abstrato. Acho que ele ficaria me olhando por um instante apenas e logo voltaria a brincar...
Confiando no Gabito, isso significaria que passado e futuro são dois eventos que não existem. São no mínimo dois eventos não observáveis. Se não são observáveis (e tomando por garantido que apenas o que é observável existe para o Gabito) este dois eventos – passado e futuro - não são reais. O que seria a confluência de dois eventos não reais, então? Como o tempo (enquanto evento) pode existir se é impossível a sua observação?
Gabito não usa toda esta lógica. Crianças não usam toda esta parafernália colocada a disposição do homem adulto. Mas ele sabe. Apenas sabe. E apenas age de acordo. Ele é a expressão d’Aquilo que todos buscam ao entrar num mosteiro Zen, por exemplo, na busca pela paz e pela felicidade. Apenas responde ao que está posto. E nisso está a expressão da paz, mesmo quando está dando uns cascudos no seu irmão menor... :)
A resposta está nas crianças, numa frase dita há séculos: “deixai vir a mim as criancinhas, elas são o reino dos céus”.
Gabito, gracias!
Love
Deva
quarta-feira, 13 de maio de 2009
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O que é, o que é??? |
O que é? O que é?
Auto-evidente.
Não há quem, através de um fazer, possa obter. Nem perder, portanto.
É sua natureza original.
Não é uma aparecência. Nem uma des-aparecência.
Não é uma entidade ou um objeto na sua consciência.
Aquilo que você pensa ser é um objeto que aparece e desaparece nela.
Não há como pensar, definir, enquadrar ou limitar.
Onde pensamentos desaparecem, fica totalmente clara e evidente, mas não é obscurecida por nenhum.
Onde você não é, é. Onde Você é, é.
É pano de fundo para todo e qualquer evento, mas não é representada por nenhum evento.
Love
Deva (joking a little)
sábado, 9 de maio de 2009
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Limites Imaginários |
De tanto ouvir falar sobre liberdade ficamos empenhados na sua obtenção. Este aparente empenho é louvável em essência, mas superficial. Ele aparece até em propagandas de produtos, mostrando o quão maravilhosa seria uma vida com liberdade – desde que usemos o tal produto que ela alardeia, é claro – mostrada com lindas imagens em ação. Não percebemos que apenas estamos nos enganchando em mais uma prisão. É fácil de entender porque esta prisão não é percebida com clareza. Algo físico é mais palpável: alguém preso numa cela. Cá estamos do lado de fora olhando o preso lá dentro, com seus movimentos tolhidos. Isto pode ser visto e entendido... Mesmo que a diferença seja apenas o lado em que estamos e o tamanho da prisão...
Da mesma forma que o preso na cela, estamos absolutamente presos numa cela imaginária. Presos a idéias e a conceitos. Assumimos como verdadeiro, desde cedo, tudo o que os “arautos da liberdade” – pais, padres, professores e terapeutas - nos disseram. “Faça isso, não faça aquilo e você obterá a desejada liberdade”. E acreditamos, sem questionar, que estamos em regime prisional e que precisamos nos libertar.
E aqui estamos nós enrolados na armadilha mental. Mas se olhamos com carinho vemos que em primeiro lugar pais, padres, professores e terapeutas apontam para qualquer coisa menos liberdade, pois não sabem. Em segundo lugar, você não sabe! Há um ruído na comunicação entre o que é definido como liberdade e o que você entende, algo como cegos guiando surdos. Há uma tensão (irreal) entre conceitos, entre idéias. Não há uma vivência direta. Não pode haver, pois o próprio desejo de liberdade mostra um profundo mal-entendido, uma névoa que o separa da liberdade derradeira.
Em outras palavras, você está preso na armadilha da busca da liberdade. Você está limitado por conceitos. Esta limitação é que produz o desejo de ser livre. Um conceito gerando outro numa orgia reprodutiva sem fim.
Para sair desta “roda de Samsara”, algo precisa ser investigado: quem sente-se preso? Quem se identifica como prisioneiro? Quem percebe o prisioneiro? Investigar respondendo estas questões talvez seja a chave para eliminar os mal-entendidos e viver diretamente o “sujeito” absolutamente livre de todas as idéias de como as coisas deveriam ser...
Esta clareza também elimina a armadilha da divisão, que gera continuamente até mesmo todos os “nós” e “eles” descritos acima...
(Deva)
terça-feira, 5 de maio de 2009
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Paradoxo dos buscadores (1) |
A identidade de um buscador é definida pelo seu argumento de busca. Mas aquilo que busca é um objeto e um objeto não tem a capacidade de perceber o sujeito. Além disso, este "sujeito" não pode ser uma definição, pois se fosse, ela caberia dentro do mesmo objeto limitante que não consegue percebe-Lo. Esta indefinição é total e absoluta, por envolver e conter este objeto limitado. Para onde isso aponta? Para um ponto de não-definição, onde só há uma ação cabível: relaxar! Sem entender, pela impossibilidade total disso. Nem explicar, por sua relatividade temporal dentro do absoluto atemporal. Resta então vive-lo a cada momento até que sua expressão seja o que é, sempre: divinamente divina, em toda a sua extensão. O mais delicioso de tudo é que você já é isso, agora. Mas ainda se percebe como sendo alguns momentos especiais dentro de grandes momentos "não divinos". No exato instante em que você perceber profundamente que "momentos" finitos não são "Aquilo" ilimitado e incontivel e que todos os momentos não-divinos estão contidos dentro do momento divino único, infinito, será "transmutado" naquilo que sempre foi e nunca deixou de ser: o próprio sujeito-divino.
(Deva)
domingo, 3 de maio de 2009
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Inicio e fim |

"... Como acabará? Não faço a menor idéia. O princípio de todas as coisas revelou-se. Depois disso, por que procuraria pelo final? É como andar em círculos. Você nunca sabe em que ponto está. Início, fim... Onde está um, ali está o outro. Cada momento contém ambos: o princípio e o fim. Há algum sentido em saber quando algo começa e quando termina? Sob qual ponto de vista?"
(Deva)
terça-feira, 28 de abril de 2009
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About Silence |
Muitos textos sobre o significado da palavra silêncio. Algo como comentários sobre uma foto do Monte Everest... Alguns o identificam como a ausência de ruidos. Outros o identificam como isso. Ou como aquilo. Não importa. Comentários indiretos são possíveis. Deste ponto de vista acho que a música é um instrumento que o ressalta maravilhosamente. Ou pelo desejo de silenciá-la no caso de pagodes ou funks (-::)) ou por ressaltá-lo divinamente em melodias repletas de apontamentos silenciosos ao vazio intervalo entre as notas. Beethoven era uma mestre nesta arte. Ou por tornar-se surdo ao longo e durante seu processo criativo ou por perceber a inutilidade dos sons ante a magnificiência deste silêncio avassalador. Poucos maestros após sua morte entenderam isso e aqueles que o perceberam foram considerados tão geniais quanto o mestre. Herbert von Karajan foi um deles. Há um vídeo de um ensaio da Filarmônica de Berlim onde ele interrompe o ensaio para dizer a um violinista da terceira fila que "naquele intervalo não havia nota a ser tocada e que isso era o sagrado daquela sinfonia!!!"). Fora da música talvez, apenas talvez, seja mais difícil. Como as letras, que precisam de uma folha branca para se destacar, ele precisa de sons para ser desejado. Este é o seu paradoxo. Se perguntarmos para o surdo o que é o silêncio ou perguntarmos para um cego o que é a luz a resposta não será a mesma? Estas não deveriam ser as questões básicas de um buscador? Não sei... Quando ouço que alguém está em busca do "seu silêncio interior" são estas questões que surgem. Mas entendo e percebo que as intepretações do seu significado sejam as mais variadas. Cada um busca aquilo que consegue entender, ou aquilo que aprendeu até então. E esta é a dificuldade na transmissão do que quer que seja. Osho dizia que a única forma de transmitir algo seria através da "transmissão especial", a transmissão sem palavras, algo que a física moderna tangenciou...
Cevando mais um chimarrão (para mim a fonte de toda a sabedoria do Universo...), ouvindo o II Movimento da Pastoral de Beethoven refletia sobre estes pontos. Sobre a bancada onde a gata que compartilha o espaço conosco pratica seus "exercícios anaeróbicos" (*) diários virando-se muito, mas muito lentamente de um lado para outro, havia um livro. Peguei-o. Num texto de um mestre Zen japonês li a mais clara definição do significado da busca pelo silêncio da mente, mas ainda era mais um koan do que algo explícito em si. Curto pesquisar as origens das coisas. Peguei o notebook e fui pesquisar a etimologia da palavra "silêncio", em japonês. Apareceu novamente o ideograma, que havia visto no livro do mestre Hakuin. Ali ficou claro: um ideograma vale mais do que mil palavras.
A caligrafia do ideograma que representa o silêncio é composta de duas partes: uma parte significa preto/escuro e a outra cachorro. Por que estas duas palavras juntas significam a busca pelo silêncio?? No dicionário etimológico japonês apenas consta que "numa noite escura, um cachorro preto corre atrás de um homem"... Beautiful!
Isso é a busca pelo silêncio! Era esta a imagem que havia sido transmitida pelo texto! E pela sinfonia que continuava impregnando a sala com sons compilados do silêncio ensurdecedor da mente beethoveniana. Imagine a cena: numa noite profundamente escura podemos ver (pelo menos nas noites existentes aqui no interior de Viamão) quase nada. Se um cachorro preto corre atrás de um homem numa noite escura, ambos não podem ser reconhecidos pelo outro. Nenhum vê o outro, apesar de um grande movimento ser perceptível. É o mesmo movimento descrito nas grandes sinfonias. Você não o vê, mas sabe que ele acontece. Você não vê onde ele acontece, mas sabe que ele acontece em algo imutável que permite que ele aconteça...
Alguém tentando ficar em silêncio traz este mesmo significado em si. É um cachorro - que não é visto - correndo atrás de algo que não vê. Quem corre de quem? Qual a direção da corrida? Não é apenas um movimento acontecendo?
Esta é a representação da busca da mente pelo silêncio. Que só pode ser o silêncio da própria mente! O barulho ensurdecedor de algo tentando silenciar-se. Nesta tentativa de eliminação, o ruído aumenta na mesma proporção. Perfeito! O silêncio em si não necessita de explicação. O que talvez necessite ser explicado é a razão da necessidade de buscá-lo. Ou de explicá-lo!
Algumas perguntas podem ser feitas. Quem percebe o ruído? Quem se identifica com este ruído? Quem tem a necessidade de interromper este ruído? Onde este ruído acontece? A quem este ruído perturba? O que aconteceria (e a quem) no silêncio absoluto?
E finalmente: a mente é suicida?
-:)
Love
Deva
(*) - imobilidade total...
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Sobre Experiências |
A verdade não está longe. Nem mesmo posso dizer que ela está perto... E ao mesmo tempo está tão próxima, mas tão próxima que se confunde com Você mesmo, ficando imperceptível aos sentidos... Existem muito poucos que a buscam realmente, de verdade! Todo o esforço e investimento é feito em cima de mentiras. A construção em cima do falso toma uma dimensão muito grande e alguns dão a sua vida para a sua manutenção. A simples idéia de que alguma coisa possa desmanchar a sua (falsa)estrutura os faz ficar amedrontados.
A Verdade tem que ser apenas des-coberta, não inventada. Ela é, por Sí mesma. Mentiras não podem ser des-cobertas, têm que ser inventadas, pois não existem em sí. Com a Verdade, você não tem nada a fazer... e porque não tem nada a fazer, a mente cessa, e com a mente cessando o ego desaparece, evapora. Este é o risco, o supremo risco. É o que gera o medo da mente criadora do mundo imaginário. O medo gera agressividade e a agressividade faz a mente ficar ainda mais burra do que já é... Os que fizeram o Experiência Zero este final de semana devem ter percebido isso. Se perceberam, ótimo! Se não perceberam, sugiro que continuem a construção do mundo imaginado. Esta é a sua única chance, pois você só pode destruir algo que foi construído. Mãos à obra!!! As cartas estão disponíveis. Continume a construção do castelo. Se tiverem sorte, daqui há algum tempo estarão des-esperados por não terem chegado a lugar nenhum. Aí talvez surja mais uma chance de desconstruir a sua própria matrix.
Abraços
Deva
segunda-feira, 27 de abril de 2009
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Statement |
um não-pensamento que sublima
a alegria de pensamentos elevados;
Algo mais profundamente difuso
do que a luz de um pôr-do-sol...
Fluindo com as cores dos oceanos,
com o ar vivo que sustenta a gaivota,
com o movimento que impele
todas as coisas do pensamento
e todos os objetos de todos os pensamentos.
Fluí através de todas as coisas.
Então,
Estou em casa.
(Deva)
